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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

A MÚSICA QUE EU GOSTO (15) - MECANO (1)

Os Mecano foram uma banda espanhola que, nos anos 80 e 90, obtiveram bastante sucesso não só no seu país natal como em muitos outros, em especial europeus e latino-americanos.
Portugal não foi excepção e os Mecano foram generosamente escutados nas nossas rádios.
Constituído pelos irmãos Nacho e Jose Maria Cano (compositores), e pela vocalista Ana Torroja, o grupo iniciou a sua carreira em 1981 com o LP "Mecano" que logo vendeu um milhão de cópias no país vizinho!
Desse LP surgiu o single "Hoy no me puedo levantar", o primeiro tema de sucesso da banda.
Outros sucessos se seguiram, tendo os Mecano gravado, no total, oito LP's, muitos deles ultrapassando números que, ainda hoje, se mantêm como records no Guiness (por exemplo, "Descanso dominical" é o disco gravado por um grupo espanhol mais vendido em todo o mundo).
Em 1998, a banda encerrou uma carreira brilhante tendo, depois disso, voltado a reunir-se esporadicamente, para gáudio dos seus admiradores.
Na discografia dos Mecano encontramos composições que nos falam de temas controversos como a homossexualidade, a droga, a prostituição, a solidão, a religião ou a SIDA.
Um dos melhores temas da banda é, sem dúvida, "El 7 de Septiembre", uma canção que trata de uma história de amor mal resolvida.
Hoje, sete de Setembro, é, pois, o dia certo para recordar este belo tema dos Mecano.
Deixo-vos aqui a letra, para ler enquanto escutamos a excelente interpretação de Ana Torroja:

Parece mentira que después de
tanto tiempo rotos nuestros lazos
sigamos manteniendo la ilusión
en nuestro Aniversario.

La misma mesita que nos ha
visto amarrar las manos por debajo,
cuida que el rincón de siempre
permanezca reservado.

Y aunque la historia se acabó
hay algo vivo en este amor,
que aunque empeñados en soplar
hay llamas que ni con el mar.

Las flores de mayo poco a poco
cederán a las patas de gallo,
y nos buscaremos con los ojos
por si queda algo.

El 7 de Septiembre es,
es nuestro Aniversario,
y no sabemos si besarnos en la cara
o en los labios.

Y aunque la historia se acabó
hay algo vivo en este amor
que aunque empeñados en soplar
hay llamas que ni con el mar.

El 7 de septiembre es,
es nuestro Aniversario.

Es nuestro Aniversario.

sábado, 6 de setembro de 2014

A MÚSICA QUE EU GOSTO (14) - LURA (1)


Lura é uma cantora nascida em 1975, em Lisboa, e com ascendência caboverdeana.
Tem uma carreira com alguns anos - começou em 1996 - mas só me apercebi desta voz há pouco tempo. Estava a ouvir rádio, como sempre faço enquanto trabalho e, a certa altura, passaram dois grandes êxitos de Lura (Nha Vida e Ponciana). Hoje, no entanto, deixo-vos aqui o Fitiço di Funana, um tema cheio de ritmo que Lura interpreta com uma alegria contagiante.
Deixo-vos também a letra desta bela canção crioula.

Fitiço ki bu tem na korpu minina
E fitiço di Funana
Fitiço ki bu tem no kurpo kriola
E fitiço ki ta fazebu brilha
Bu ta badja Coladera sabi
Pa da ku Tornu minina ê sô bo
Bu ta baja Mazurka sabi
Ma mu badju ê Funana
Ku bu Funana bu poi gerra na sala
Bu poi homis ta briga pa bo
Na roda ku mininas bu ta brinca ku bu saia
Bu pônu tuku ku ôdju na bo
Oi oi oi oi
Fitiço di Funana

sábado, 23 de agosto de 2014

A MÚSICA QUE EU GOSTO (13) - CARLOS PAREDES (2)


Faz hoje precisamente 10 anos e um mês que faleceu Carlos Paredes. Não dei conta de que algum dos nossos canais de televisão tenha recordado este músico genial, como é habitual fazer-se - todos os anos - com Amália, por exemplo.
Resta-nos o youtube para manter viva a memória deste gigante da música portuguesa...

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A MÚSICA QUE EU GOSTO (12) - INTI ILLIMANI (2) - Sirviñaco


Mais um bonito tema interpretado pelo extraordinário grupo chileno "Inti Illimani".
No post anterior ouvimos uma faixa do disco "Canto de Pueblos Andinos", gravado em 1975.
Um ano depois, os "Inti Illimani" gravavam "Canto de Pueblos Andinos II", de onde escolhi este "Sirviñaco".
"Sirviñaco", ou "Tanta quatu", era uma tradição dos povos nativos Aymara, estabelecidos desde a época pré-colombiana no sul do Peru, Bolívia, Argentina e Chile. Os Aymara contam, actualmente, com cerca de 2,5 milhões de pessoas e é o segundo mais numeroso, a seguir aos Quechua, com quase 15 milhões.
"Sirviñaco" consistia numa espécie de "união de facto" que se estabelecia entre dois jovens noivos, durante um certo período de tempo, de modo a prepara-los para um futuro casamento. Caso as coisas não resultassem, rapaz e rapariga poderiam separar-se e seguir caminhos distintos sem qualquer problema. Com a chegada dos espanhóis, a tradição foi - sem surpresa - proibida pela Igreja Católica.
A letra deste tema (que mistura expressões Aymara e Quechua com o castellano) é de Jaime Dávalo e a música foi composta por Eduardo Falú.
Deliciem-se com um dos mais belos temas dos "Inti Illimani":

Yo t'hei dicho nos casimos,
vos diciendo que tal vez;
sería bueno que probimos
m'a ver eso qué tal es.
Te propongo sirviñaco,
si tus tatas dan lugar
p'a l'alzada del tabaco
vámonos a trabajar.
T'hei comprarollita nueva,
en la feria 'e Sumalao,
es cuestión de hacer la prueba
de vivirnos amañaos.
Y si tus tatas se enteran,
ya tendrán consolación,
que todas las cosas tienen
con el tiempo la ocasión.
Y si Dios nos da un changuito
a mí no me ha de faltar
voluntad pa andar juntitos
ni valor p'a trabajar.
Te propongo como seña
pa' saber si me querís
cuando vas a juntar leña
sílbame como perdiz

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A MÚSICA QUE EU GOSTO (11) - INTI ILLIMANI (1) - Papel de Plata


Coleccionei, durante alguns anos, discos de música andina. Costumava comprar os discos (e ainda antes destes, cassetes de fita!) nas feiras e mercados, quando encontrava stands ou tendas de índios sul-americanos a vender os seus produtos (roupas, missangas, artesanato e, claro, discos de música andina). Hoje em dia, com a possibilidade de ouvir música através da internet, esse meu hábito passou a ser muito mais raro.
Devo confessar que, desde sempre, toda a cultura latino-americana me fascinou. Gostava mesmo de, um dia, fazer uma grande viagem por países como o Equador, o Perú, a Bolívia, o Chile... Enfim, é um sonho que provavelmente nunca concretizarei mas que me acompanha desde miúdo!
Enquanto concretizo, ou não, essa viagem, vou ouvindo a maravilhosa música daqueles povos.
Passados mais de 500 anos desde a chegada dos primeiros brancos ao continente americano, e apesar dos inúmeros crimes e atropelos cometidos sobre os índios, estes têm sabido sobreviver e manter vivas muitas das suas tradições. Uma dessas tradições é a música, com os seus instrumentos, os seus ritmos e as suas melodias únicas que me continuam a maravilhar de cada vez que os ouço.
O grupo que hoje vos proponho chama-se "Inti Illimani" (Sol Illimani, em idioma Aimará).
Proveniente do Chile, os "Inti Illimani" gravaram este disco, "Canto de Pueblos Andinos", em 1975. Hoje em dia, existem dois grupos com a mesma designação, sendo distinguidos como "Inti-Illimani Histórico" e "Inti-Illimani Nuevo".
Falaremos mais um pouco deste(s) grupo(s) em outra ocasião. Por agora, convido-vos a ouvirem "Papel de Plata", uma canção de amor, cuja letra, simples e bonita, vos deixo a seguir:

Papel de plata quisiera
plumita de oro tuviera
para escribir una carta
a mi negra más querida

Ay, palomita
ay, corazoncito,
hasta cuándo estaré
yo sufriendo.

domingo, 23 de junho de 2013

A MÚSICA QUE EU GOSTO (10) - Baccara

O duo Baccara, formado pelas espanholas Mayte Mateos e Mendiola Maria, obteve o seu grande sucesso no ano de 1977. Tratou-se deste "Yes sir I can boogie".
Nessa altura, as Baccara ouviam-se, persistentemente, em inúmeras discotecas por essa Europa fora (onde brilhavam ao lado dos mais populares ídolos daquele tempo como os Abba, os Boney M ou Demis Roussos), mas, do alto dos meus 9 anitos, eu só aspirava a ouvi-las num pequeno transistor que me oferecera uma tia e, também, como música de fundo em feiras e mercados (nas pistas de carrinhos de choque ou nas barracas onde se vendiam cassetes e discos de vinil).
O tipo de música das Baccara era uma combinação de Disco, Pop e música espanhola que resultou num tremendo sucesso para estas duas "chicas" em grande parte da Europa. Chegaram mesmo a representar o Luxemburgo(!) no Festival Eurovisão da Canção de 1978.
Separaram-se em 1981 para seguirem carreiras individuais mas sem o mesmo sucesso.
Em 2005 gravaram uma versão deste êxito, com uma roupagem nova mas sabendo manter a essência de Baccala.
Hoje em dia, quando vou à feira, sinto uma estranha saudade da música das Baccara...

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

A MÚSICA QUE EU GOSTO (9) - Carlos Paredes (1)


Carlos Paredes: um gigante da Música Portuguesa, desaparecido há quase uma década. E que não tem sido tão relembrado quanto merecia (especialmente pelas nossas televisões, o que - bem vistas as coisas - não surpreende muito). Quantos, de entre os nossos jovens de hoje em dia, sabem quem foi Carlos Paredes? Arrisco-me a dizer que demasiado poucos... E no entanto, a genialidade deste homem arrepia-nos quando ouvimos tocar uma guitarra portuguesa desta maneira...

domingo, 5 de junho de 2011

A MÚSICA QUE EU GOSTO (8) - "La Campanella", de Paganini

Resolvi colocar aqui a versão para violino de Paganini. A tal música que abria a série televisiva e que me ficou no ouvido durante anos. A interpretação é de Salvatore Accardo. Agora já podem comparar com a versão de Liszt do post anterior. E se calhar chegam à mesma conclusão a que eu cheguei: são ambas excelentes!

A MÚSICA QUE EU GOSTO (7) - "La Campanella", por Li Yundi

Quando era miúdo, lembro-me de na RTP ter passado uma série sobre a vida de Paganini, famoso compositor e violinista italiano. Não me lembro de mais nada na série a não ser da música com que cada episódio abria  ou encerrava. Tratava-se de uma música obviamente de Paganini, composta para violino, claro, tão bonita quanto difícil de interpretar.
Ainda hoje, passado tanto tempo, dou por mim, de vez em quando, a assobiar essa fantástica melodia! Ficou-me de tal modo no ouvido todos estes anos que decidi pesquisar na net pelo nome de Paganini e, após ler a biografia deste compositor, não tardei muito a descobrir o nome da tal melodia: "La Campanella" (em português, "O Sino").
Ouvi uma e outra vez "La Campanella" durante um bom bocado, até me fartar! Não conseguia deixar de querer ouvir o som daquele violino. Por um lado porque era de facto uma interpretação fantástica. Por outro porque me trazia memórias de outros tempos.
De repente, olho para os outros videos e vejo que um pianista chinês chamado Li Yundi (assim é que está correcto e não ao contrário) também tocou "La Campanella". "Com um piano? - pensei para mim - Não deve ser a mesma coisa!" Pois não. Não é a mesma coisa! Trata-se da mesma melodia de Paganini mas escrita para piano, por Liszt. Não vou dizer que é melhor porque o som do violino não é fácil de esquecer. Mas este Li Yundi é, de facto, um pianista de se lhe tirar o chapéu! Ouçam até ao fim e depois digam-me se não tenho razão...

domingo, 6 de março de 2011

A música que eu gosto (6) - Paulo de Carvalho (1)


Paulo de Carvalho, para além de ser uma das melhores vozes nacionais de sempre, tem um leque de canções brilhantes no seu já longo repertório. A mais conhecida será, porventura "E depois do adeus", vencedora do Festival RTP da Canção de 1974 e, poucos dias depois, transformada em senha para o início da Revolução dos Cravos.
Contudo, a minha preferência vai para esta canção, "Flor sem tempo", também ela concorrente a um Festival da Canção (o de 1971). Dessa vez, Paulo de Carvalho sairia derrotado tendo sido Tonicha a vencedora, por sinal com outra grande canção, "Menina".
"Flor sem tempo" tem música de José Calvário e letra de José de Souto Mayor. É, para mim, a melhor das canções não-vencedoras que passaram por todas as edições do Festival RTP da Canção.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A música que eu gosto (5) - Chico Buarque (1)



Chico Buarque é um dos gigantes da música brasileira!
Ou melhor: Chico Buarque é um dos gigantes da música!
Esta "Conversa de Botequim", com letra de Noel Rosa e música de Vadico (Osvaldo Gogliano) demonstra a excelência da interpretação do artista.

Seu garçom, faça o favor
de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga á beça
Um guardanapo,
E um copo d'água bem gelada
Feche a porta da direita
Com muito cuidado...
Que não estou disposto
A ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol

Se você ficar limpando a mesa
Não me levanto nem pago a despesa
Vá pedir ao seu patrão
Uma caneta, um tinteiro,
Um envelope e um cartão
Não se esqueça de me dar palitos
E um cigarro pra espantar mosquitos
Vá dizer ao charuteiro
Que me empreste umas revistas
Um isqueiro e um cinzeiro

Seu garçom, faça o favor
de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga á beça
Um guardanapo,
E um copo d'agua bem gelada
Feche a porta da direita
Com muito cuidado...
Que não estou disposto
A ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol

Telefone ao menos uma vez
para 34-4333
E ordene ao seu Osório
Que me mande um guarda chuva
Aqui pro nosso escritório
Seu garçom me empreste algum dinheiro
Que eu deixei o meu com o bicheiro
Vá dizer ao seu gerente
Que pendure essa despesa
No cabide ali em frente

Seu garçom, faça o favor
de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga á beça
Um guardanapo,
E um copo d'água bem gelada
Feche a porta da direita
Com muito cuidado...
Que não estou disposto
A ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol

domingo, 26 de dezembro de 2010

A música que eu gosto (4) - Brigada Victor Jara (2)

Mais uma música da Brigada Victor Jara. Desta vez escolhi um tema oriundo de Paradela, em Trás-os-Montes, magnificamente interpretado pela Brigada: "Oh Bento Airoso". Tem a ver um pouco, também, com a época festiva que atravessamos...

sábado, 6 de novembro de 2010

A música que eu gosto (3) - Brigada Victor Jara (1)


A Brigada Victor Jara é daqueles casos em que a qualidade do seu trabalho se sobrepõe ao puro esquecimento a que estão condenados pelas televisões e pelas rádios nacionais (com raras excepções). Basta ouvir temas como este "Faixinha verde" para nos interrogarmos como é possível passar tanto tempo sem que estes extraordinários músicos apareçam na TV !? Contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que vi este grupo actuar em programas televisivos. Assim de repente, lembro-me de um programa do (grande profissional de comunicação) Júlio Isidro e pouco mais. Felizmente existe a net para nos fazer matar saudades destes e doutros músicos de primeira água...
A Brigada Victor Jara foi fundada em 1974. Têm um blogue que pode ser consultado clicando no seguinte link:
http://brigadavictorjara.blogspot.com/

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A música que eu gosto (2) - Teresa Silva Carvalho (2)


Pronto, não resisiti! Eu disse que a Teresa era uma grande fadista e, para quem nunca a ouviu cantar aqui está um bom exemplo: "Nunca me fales verdade", de Augusto Gil e Alfredo Marceneiro.
Basta ouvir o primeiro verso para se perceber logo que estamos na presença de uma artista de eleição! A música e o poema fazem deste um dos fados mais bonitos que já ouvi até hoje...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A música que eu gosto (1) - Teresa Silva Carvalho (1)

Teresa Silva Carvalho está, por vontade própria, retirada do mundo da música há alguns anos. Foi uma grande fadista! Uma voz inesquecível! Das melhores que este país já conheceu! Uma escolha rigorosa de temas e de autores marcaram uma carreira brilhante. Resta-nos o seu trabalho gravado em disco e alguns registos filmados.
O video que aqui podemos ver não é, curiosamente, um fado. Trata-se de uma canção, com poema de Manuela de Freitas e música da própria Teresa Silva Carvalho, que fez parte do álbum "Ó Rama, Que Linda Rama", um excelente trabalho com temas como "Verdes são os campos" ou "Barca Bela". O vídeo tem como cenário a vila alentejana de Monsaraz.
Podem ver uma biografia da Teresa no seguinte site: http://jjsilva.bloguedemusica.com/8046/BIOGRAFIA/