Para todos meditarmos e começarmos a fazer a nossa parte... JÁ!
Para todos meditarmos e começarmos a fazer a nossa parte... JÁ!
O Festival Eurovisão da Canção foi, durante muitos anos, motivo para as famílias portuguesas se reunirem frente à "caixinha que mudou o mundo" e passarem um serão agradável.
A edição de 1975 é a mais antiga que me lembro, vagamente, de ter acompanhado. A televisão só chegaria no ano seguinte a minha casa pelo que, nesse ano, o festival foi seguido na casa da vizinha Helena, uma senhora que morava mesmo ao nosso lado e que, simpaticamente, nos convidava, de vez em quando, a ver alguns dos programas mais emblemáticos dessa época (Bonanza, O Sinal do Dragão, Mc Cloud, desenhos animados, etc.).
O grupo holandês Teach-In foi quem abriu o Festival desse ano e, curiosamente, foi também o vencedor, com 152 pontos, à frente dos ingleses The Shadows que se quedaram pelos 138. O concurso teve lugar em Estocolmo, na Suécia, já que na edição de 1974 tinham sido os ABBA os vencedores incontestados.
Em Estocolmo, Portugal teve (mais uma) actuação discreta, ficando-se pelo 16.º lugar entre 19 concorrentes (pior que nós só a Alemanha, a Noruega e a Turquia, por esta ordem). A canção que nos representou, "Madrugada", foi interpretada por Duarte Mendes e obteve 16 pontos. Apenas fomos pontuados por Espanha e França (dois pontos cada uma) e Turquia. Os turcos, espantosamente, deram-nos a pontuação máxima - doze! Um caso atípico no historial dos festivais...
Resta dizer que esta foi a quarta vitória da Holanda em Festivais da Eurovisão e que, desde aí, não voltou a repetir o feito.
BIC Laranja e BIC Cristal! Soa-vos familiar? Claro que sim! Um anúncio destes é daqueles que ficam na memória durante muito tempo!
Durante os anos 70 eu via este anúncio (a preto e branco) quase todas as noites. As emissões da RTP começavam apenas às 18:00 horas, com desenhos animados, e encerravam, salvo erro, à meia-noite ou à uma da manhã após a exibição de um filme, um concurso ou um espectáculo de "variedades". O teatro, a dança e a chamada música clássica tinham, espantosamente, (para os padrões actuais) lugar cativo na programação. Era no tempo em que a publicidade, não havendo canal concorrente, era praticamente toda consumida pelos telespectadores uma vez que não havia a possibilidade de fazer "zaping".
BIC Laranja. BIC Cristal. Duas escritas à vossa escolha! As ideias simples são sempre as que melhor resultam!...
Os célebres programas de Vasco Granja - a quem se deve a divulgação de inúmeros autores e personagens de animação americanos, canadianos e do leste da Europa - eram outra oportunidade para ver boas séries. Séries que nem sempre eram desenhadas. Lembro-me de o Vasco Granja chamar sempre a atenção dos pequenos telespectadores para as diferentes técnicas que os realizadores utilizavam. Os personagens podiam ser feitos de plasticina, ou simplesmente desenhados na areia. Ou, então, as diferentes partes que constituiam o personagem (cabeça, tronco e membros) podiam ser desenhadas e recortadas em cartolina, o que permitia que o realizador fosse, progressivamente, mexendo o boneco fotograma a fotograma. Os bonecos podiam, também, ser em PVC articulados, ou, simplesmente, ser recortados numa cartolina preta, com uma luz branca por trás (o que dava um efeito tipo sombras chinesas), etc, etc... Tudo coisas que me fascinavam mas que, hoje em dia, não se explicam aos miúdos...
Se bem que as séries americanas, desde essa altura, nunca deixaram de ter o seu espaço na televisão portuguesa (chegando mesmo a haver à venda, hoje em dia, edições em DVD), a verdade é que das séries canadianas ou do leste europeu pouco mais se ouviu falar, infelizmente.
Assim de repente, lembro-me de algumas das séries animadas que mais me fascinavam: "A Pantera Cor-de-Rosa" (onde aparecia, de vez em quando, o Inspector Closeau, quanto a mim um personagem ainda mais interessante que a própria Pantera), "Bucha e Estica" (outra série estupenda), "Calimero", "Popeye, o marinheiro", "As aventuras do Rei Artur", "As viagens de Gulliver", "O Professor Baltazar" (uma das boas séries de animação produzida nos países de leste), "A floresta azul", "O Carrocel Mágico", "Os Barbapapas"... entre tantas e tantas outras.
De entre os desenhos animados americanos destaco: "Tom & Jerry", "Bugs Bunny", "Speedy Gonzales" (o meu preferido), "Daffy Duck", "Coyote e Beep-Beep", "Woody Woodpecker" (O Picapau), Mister Magoo, Droopy, The Flintstones, Pixie & Dixie, Zé Colmeia & Catatau, etc, etc...
As séries de realização japonesa (ou com influência japonesa), obviamente, também me agradavam muito: "Heidi", "Marco", "Bana & Flapi", "Conan, o rapaz do futuro", "Mazinguer Z" (esta passava apenas na TVE), El Cid, Tom Sawyer, etc...
Hoje, contudo, vou falar de uma série italiana, criada pelo extraordinário cartunista que foi Osvaldo Cavandoli. Trata-se da série "La Linea" (ou seja, "A Linha"). O título diz tudo acerca do personagem uma vez que se trata de um boneco desenhado sob a forma de contorno e que se desloca sempre sobre uma linha horizontal. Na maioria dos episódios o personagem contracena com o próprio desenhador (do qual só aparece a mão), pedindo-lhe para este desenhar aquilo que na altura necessita para resolver determinado problema.
Esta ideia, pouco comum, de desenhar um personagem só com uma linha, aliada ao bom humor e ao excelente desenho (poucas são as coisas fáceis de desenhar só em contorno e Osvaldo Cavandoli fazia-o de maneira magistral) foi o que lançou a série para a fama.
Para quem não conhece a série, aconselho uma vista de olhos pelo Youtube e perceberá, imediatamente, o que quero dizer.
Osvaldo Cavandoli (1 de janeiro de 1920 - 03 de março de 2007), também conhecido por Cava, foi um cartunista italiano. A sua obra mais famosa é a série de desenhos animados La Linea, transmitida na televisão entre 1972 e 1991. Cavandoli nasceu em Maderno sul Garda, Itália, mas foi para Milão quando tinha dois anos (mais tarde chegou a tornar-se cidadão honorário desta cidade). De 1936 a 1940 ele trabalhou como desenhador técnico para a Alfa Romeo. Quando desenvolveu interesse pelos quadrinhos, em 1943, começou a trabalhar com Nino Pagot (que mais tarde criou Calimero). Em 1950 começou a trabalhar de forma independente como director e produtor. Tornou-se famoso por sua La Linea, uma caricatura desenhada simplesmente com um traço branco. A sua primeira aparição ocorreu em 1969. Em 1978 e 1988, ele desenvolveu dois novos personagens: sexlinea e eroslinea. Faleceu um 2007.